Exposição: Maria Antonieta, ou as metamorfoses de uma rainha

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Exposição: Maria Antonieta, ou as metamorfoses de uma rainha

Tão adulada quanto desprezada, Maria Antonieta fascina. Paris presta uma homenagem a essa personagem excepcional com a exposição “Metamorfoses de Uma Imagem”. A rainha está morta, viva a rainha!

Exposição: Maria Antonieta, ou as metamorfoses de uma rainha

Uma figura atemporal na Conciergerie

No centro de Paris, o antigo Palácio de La Cité homenageia a esposa de Luís XVI. A exposição “Maria Antonieta, Metamorfoses de Uma Imagem” explora todas as facetas dessa rainha fascinante, guilhotinada em 16 de outubro de 1793 na Praça da Concórdia, em Paris. Foi, de fato, atrás das paredes espessas da Conciergerie que Maria Antonieta passou suas últimas semanas durante a Revolução Francesa. Longe do luxo de Versalhes, o lugar marca o fim do destino daquela que foi apelidada, com desdém, de “a austríaca”, pois era filha do imperador do Sacro Império Romano-Germânico Francisco I e de Maria Teresa da Áustria.

Para entender melhor a riqueza e a complexidade da personagem, nada menos do que 200 obras, objetos de arte, textos, gravuras da época, adereços e trechos de uma filmografia abundante foram reunidos cuidadosamente por toda a Europa, para serem apresentados em torno de cinco temáticas.

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Exposição: Maria Antonieta, ou as metamorfoses de uma rainha

Uma exposição em cinco atos

O seu percurso começa com uma volta no tempo na Conciergerie, no decorrer do processo que culminou na condenação à morte da última rainha da França. Testemunhos dessas horas trágicas, objetos como sua camisa, um de seus sapatos, arquivos escritos. Você ficará arrepiado só de pensar nesse período conturbado da Revolução Francesa.

A temática chamada de “As Histórias” traz um pouco mais de leveza e retoma 20 acontecimentos na vida daquela que se casou aos 14 anos, foi rainha da França aos 18, mãe aos 23 e condenada à morte aos 38. Você vai entender o quanto o destino de Maria Antonieta era incomum. Sem dúvidas é isso que explica suas representações tão múltiplas e diversas.

Em “A Imagem da Rainha”, observe os retratos de Elisabeth Vigée Le Brun e o quadro surpreendente de Botero, no qual a grande rainha aparece com as formas arredondadas próprias do artista colombiano.

Um quarto tema aborda o fascínio que Maria Antonieta despertava e sua influência na moda da época por meio de três símbolos: os cabelos, o corpo e a cabeça decepada.

Termine o seu percurso em “As Voltas da Rainha”, e saiba que ela é hoje a heroína de um mangá de Riyoko Ikeda, um filme de Sofia Coppola e o assunto da biografia de Antonia Fraser... Entre mistério e encanto, a aura de Maria Antonieta permanece intacta, e ela é retratada ora como a encarnação da frivolidade, ora como uma vítima ou, ainda, como uma mulher da nossa época.

Marie-Antoinette, Métamorphoses d'une image

De 16 de outubro de 2019 a 26 de janeiro de 2020

La Conciergerie
2 boulevard du Palais
75001 Paris
França

www.paris-conciergerie.fr/en/News/MARIE-ANTOINETTE-METAMORPHOSES-OF-AN-IMAGE

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Exposição: Maria Antonieta, ou as metamorfoses de uma rainha

A monarquia de luto

Quando a sua visita acabar, continue seguindo os rastros de Maria Antonieta durante a sua estadia parisiense. Aproveite para conhecer a Capela Expiatória. Ela foi erguida a pedido de Luís XVIII, irmão de Luís XVI, onde os corpos do casal real foram inicialmente sepultados. Sua construção foi iniciada em 1815 e concluída em 1826. Nesse meio tempo, os restos mortais foram transferidos para a Basílica Real de Saint-Denis (Seine-Saint-Denis), mas a capela continua sendo habitada pela memória do rei e da rainha.

Para ter acesso a ela, passe primeiro pelo pavilhão, depois o vestíbulo. Penetre no jardim interno do Campo Santo (jardim elevado) constituído de terra peneirada do antigo cemitério e cenotáfios que homenageiam os guardas suíços mortos durante a tomada das Tulherias em 10 de agosto de 1792. Um canteiro duplo de roseiras brancas forma uma moldura. Dentro da capela, você ficará impactado com a singeleza do lugar e o sentimento de recolhimento desejado por Luís XVIII.

Observe, de cada lado, as duas estátuas de mármore branco uma de frente para a outra: elas representam o casal real. Aproxime-se para ler as inscrições no mármore: trata-se da última carta que a rainha enviou para a irmã do rei, Elisabeth. Nessas palavras de pedra, nada de futilidade nem grandiloquência: a emoção da mulher permanece imaculada.

Chapelle expiatoire
29 rue Pasquier
75008 Paris
França

+33(0)1 42 65 35 80

www.chapelle-expiatoire-paris.fr/en/

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A rainha do campo

Para a sua terceira etapa, saia de Paris e desfrute de um passeio bucólico. Direção ao Castelo de Rambouillet, a cerca de 60 quilômetros da capital. No coração da propriedade, residência real sob Luís XVI, encontramos a Leitaria de Maria Antonieta. Esse prédio de tamanho pequeno foi construído no mais alto sigilo a pedido do rei para presentear sua esposa. Ele queria que ela se distraísse ali com suas servas e sua corte durante as intermináveis caças nas florestas repletas de animais. Essa leitaria “de pompa” é um verdadeiro tesouro arquitetônico neoclássico com ares de templo grego.

Perto de lá, a Gruta das Ninfas lembra o gosto da época pelas grutas de jardim - chamadas de “fábricas” - espalhadas pelos amplos parques. Aproveite para passear nos 20.000 hectares magníficos da propriedade de Rambouillet. E imagine Maria Antonieta brincando de pastora nesse cenário campestre.

La Laiterie de la reine
Château de Rambouillet
78120 Rambouillet
França

+33(0)1 34 83 00 25

www.chateau-rambouillet.fr/en/